distante do foco, foco distante

Foco. Uma simples palavra derivada do latim focus. que tanto utilizam no dia-dia, simbolizando um poder de síntese e de volta à ideia inicial que eu percebo ainda não possuir. Sou sempre o que excede nos caracteres de artigos e passa mais tempo apertando o backspace do que realmente digitando. Posso gostar da minha letra no caderno, do cheiro da tinta, da tela esperando ansiosamente algo nela ser escrito - mas em minha consciência explode numa falta de foco tremenda: um big bang com todas as informações do universo num tenso desencontro. Vejo agora como coração partido e caos são ao mesmo tempo facilitadores de foco e fontes de inspiração: cá estou de coração aberto e bem posicionado dentro dos terremotos ao redor mas em um pasto de criatividade onde as vacas morrem de inanição.
Não quero cair nos relatos de situações irônicas (embora isso esteja prestes a acontecer). É difícil não assumir os personagens citados no post anterior, é inegável que daí as palavras correm no papel/tela. Coerência, foco. Esperei inspiração o dia todo, esperei o brainstorm o mês todo, esperei a solução divina o ano todo.  Daí me deram uma dica distante:
"Tenta escrever sobre suas saudades de escrever."

Tão simples, tão nobre. Tão verdadeiro, tão sutil. E acima de tudo, tão fisicamente distante.
O sol vai nascer, os cachorros vão latir e assim vai. É o curso natural das coisas e o mundo não vai parar de girar pra eu aprender a ter foco nas coisas. O máximo que posso fazer é acrescentar isso à fictícia lista das resoluções pra 2013.
Sabe, é tão mais fácil mandar indiretas e dissecar o que de certo e errado acontece com a gente.

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